Biomédicos se destacam em cirurgia de siamesas

Crédito: arquivo pessoal.

Membros da equipe montada especialmente para o procedimento, os profissionais, que atuam em Brasília (DF), ressaltam a importância do trabalho em equipe

Os biomédicos Ana Paula Paulino Freitas, supervisora técnica da Agência Transfusional do Hospital da Criança de Brasília (HCB), e Rodrigo André de Sousa, também do HCB participaram de uma cirurgia inédita realizada na rede pública do Distrito Federal: a separação de duas crianças siamesas ligadas pela cabeça. O procedimento mais complexo ocorreu em abril deste ano e as pequenas meninas gêmeas passam bem.

Ana Paula, que é pós-graduada em Hematologia/Banco de Sangue e Hemoterapia, e Rodrigo André integraram uma seleta equipe de médicos cirurgiões, enfermeiros, anestesistas, além de especialistas vindos do The Children’s Hospital at Monte Fiore, em Nova York, nos Estados Unidos, num total de 50 profissionais. O resultado positivo reforça o caráter multidisciplinar da Biomedicina, já que a cirurgia, devido à raridade, pode ser exemplo para as áreas de saúde em todo o País. Confira abaixo a entrevista concedida pelos profissionais ao Site do Conselho Regional de Biomedicina – 3ª Região.

Como biomédicos, como foi participar desta experiência?

Ana Paula – Foi uma experiência única e muito gratificante tanto profissionalmente quanto no lado pessoal. Fomos bem acolhidos pela equipe médica responsável pela cirurgia. Percebemos que cada vez mais o trabalho em equipe e a boa comunicação faz com que o andamento dos procedimentos ocorra com destreza.

Quais as contribuições da Biomedicina em casos tão específicos e de alta complexidade quanto os de separação de gêmeos siameses?

Ana Paula – Nós, biomédicos, que atuamos na hemoterapia, legalmente capacitados e habilitados, somos fundamentais e essenciais em procedimentos complexos como esse, pois o suporte hemoterápico imediato, se solicitado, durante o transoperatório é fundamental para salvar a vida dos pacientes. Afinal eles são o centro do cuidado.

Comentem sobre a participação de cada um de vocês.

Rodrigo – Eu e minha supervisora e colega, Ana Paula Paulino, monitoramos todo o processo pré-operatório, os técnicos de Hemoterapia coletaram amostra, fizeram os testes pré-transfusionais e prepararam o sangue no dia anterior à cirurgia. A reserva de sangue foi preparada com minúcia. Deixamos reservados todos os hemocomponentes, plasma, crio, plaquetas e hemácias. A cirurgia era de alta complexidade, e nos encontros anteriores com a equipe médica nos disseram que poderia acontecer de trocar até 1,5 volemias de cada paciente, caso houvesse alguma intercorrência. Graças a Deus isso não aconteceu. O uso dos hemocomponentes foi racional e bem indicado. Permanecemos no centro cirúrgico durante todo o procedimento, que teve duração de 22 horas.

Como foi o entrosamento com os outros profissionais de saúde da equipe?

Rodrigo – Eu tenho pouco tempo no HCB, apenas 4 meses, e mesmo assim me senti como se trabalhasse aqui há muito mais tempo. O envolvimento de todos na cirurgia foi muito grande, estávamos ali unidos pelo amor, pela fé e torcendo para que tudo ocorresse bem. Eu e a Ana temos uma sinergia muito boa, somos parceiros. A Ana tem um entrosamento muito bom com todas as equipes. Ela é uma excelente pessoa e profissional, além de muito respeitada e admirada no hospital.

Qual a aprendizagem que vocês tiram dessa experiência?

Ana Paula e Rodrigo – A soma de responsabilidade, esforço, comprometimento, amor e fé faz com que as coisas ocorram da melhor maneira. Importante também oAperfeiçoamento, uma exigência básica e não mais um diferencial. O aprendizado contínuo garante conhecimentos técnicos, administrativos e gerenciais que são essenciais para um bom desempenho da função. (Imprensa CRBM-3)

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